Este é o ultimo post.
Estou cansado. O mundo que me rodeia, o meu mundo, é uma decepção constante. Acho que não vale a pena tentar mudá-lo como acho que não me devo conformar com ele, mas como sou daqueles que nada é ao acaso e que existe uma ordém no caos sinto-me sempre tentado a conformar-me. É o Destino.
Não sei explicar a razão porque me sinto como me tenho sentido nas ultimas semanas. O meu aproveitamento nas aulas caíu a pique ao ponto de ter quatro exames de recuperação para fazer no próximo ano. Deixei de ter muitos dos amigos que tinha, falo com pouquissimas pessoas no meu dia-a-dia, desinteressei-me pelas aulas, chateio-me facilmente com qualquer coisa. Há tantas razões para estar como estou e nenhuma chega para preencher as medidas. E antes era T. e agora foi J. E no fundo parece que ando a viver em circulos, sempre a voltar atrás, parece que o tal Destino existe mesmo e não gosta muito de mim. Ou estão está a tentar empurrar-me para uma vida de reclusão. Para a Igreja ou para o Exército, sei lá. Viver é tão cansativo.
Este é o ultimo post. Acabou, não escrevo mais. Este blog vai continuar a existir durante um ano e depois...depois. Acontece o mesmo que aconteceu a todos os meus blogues anteriores. Talvez comece outro, talvez, é bem provavel.
O meu email é pauloalves.correio@hotmail.com
Até para o ano.
sábado, 12 de dezembro de 2009
domingo, 6 de dezembro de 2009
E a História Repete-se
E a História Repete-se.
Uma e outra vez. À minha volta começam e terminam-se relações. Há risos e choro. Vejo casais em todo o lado e não há semana em que não veja pelo menos uma discussão na rua. É incrível. Imagino-me no lugar daqueles que vão sofrer já que é o único lugar que conheço, mas mesmo essa suposição não passa de especulação. Não imagino alguém com sentimentos superficiais a sentir dor profunda. Mas quem sou eu para apontar a superficialidade das pessoas?
Nalguns casos, dos que vejo, aqueles que envolveram sentimentos verdadeiros, a cegueira demora a curar. A "vitima" insiste. Tenta que tudo volte a ser como antes. O que eu duvido sempre. Porque não se ama a mesma pessoa duas vezes, e porque aqueles que deixamos de amar parecem-nos sempre ridículos.
Hoje ri-me imenso à chuva. Soube mesmo bem.
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domingo, 22 de novembro de 2009
"Tantos pintores" de Mário Cesariny
A realidade, comovida, agradece
mas fica no mesmo sítio
(daqui ninguém me tira)
chamado paisagem
Tantos escritores
A realidade, comovida, agradece
e continua a fazer o seu frio
sobre bairros inteiros na cidade
e algures
Tantos mortos no rio
A realidade, comovida, agradece
porque sabe que foi por ela o sacrifício
mas não agradece muito
Ela sabe que os pintores
os escritores
e quem morre
não gostam da realidade
querem-na para um bocado
não se lhe chegam muito pode sufocar
Só o velho moinho do acordeon da esquina
rodado a manivela de trabuqueta
sem mesura sem fim e sem vontade
dá voltas à solidão da realidade.
Titânia e a cidade queimadaFoto: http://complejo.deviantart.com/
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sábado, 21 de novembro de 2009
Pastelaria de Mário Cesariny
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Porquê Montenegro?
Não gosto do meu apelido. Não tem nada de mal, é um apelido perfeitamente vulgar. Simplesmente não gosto e se me fosse permitido, não usava. Um dia, quando conseguir dinheiro suficiente mudo oficialmente de apelido. Até lá, assino o meu apelido real em documentos oficiais, Paulo Alves em pouco formais, e Paulo Montenegro em tudo o resto. Tudo o resto é a maioria.
Imagem: joebeckerart.deviantart.com/
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009
O que faço?
Texto escrito na Praia da Memória
em 20 de Setembro de 2009
Viver é bom. Uma parte do tempo. Mas era tudo muito mais simples se eu não existisse.
Quando escrevo dou muitos erros ortográficos mas não os dou na vida real. Não nesta quantidade. Mas se calhar era mais feliz se desse. Se calhar era.
Odeio o mundo. Não o planeta mas sim as pessoas. Os seres humanos são horríveis, nojentos, hipócritas. O macaco "proconsul" tornou-se uma criatura aparentemente mais evoluida mas isso toca apenas alguns da espécie. Os comportamentos animais continuam a existir mas disfarçados.
Fala-se tanto do egoismo. O egoismo do homem branco, dos ocidentais. O egoismo Americano. Pois para mim o egoismo é necessário. As pessoas andam à procura delas próprias, é normal que seja egoistas. É mau eu querer algo a mais para mim? Claro que não. Só um Karl Marx para julgar isso. Acho que devia-se falar mais da indiferença. Essa sim, é a grande causadora de problemas.
Estou à procura de mim mesmo e estou cansado de procurar. As pessoas não são coisas, também se cansam psicologicamente. E eu estou cansado de esperar que a felicidade me bata à porta. Tenho algumas certezas quanto ao futuro. - Chamo certezas a acontecimentos que julgo serem muito prováveis de ocorrer. - Sei que serei bem sucedido profissionalmente. Tenho todas as qualidades necessárias e provenho do meio social certo para ter ambição suficiente de ascensão social. Sei que serei alguém no mundo. Mas não sei se isso me fará feliz.
Estou a perder a melhor parte da minha vida com incertezas. Acho que está na altura de dar a volta. Tenho de fazer as coisas acontecer por mim. As pessoas não querem saber do que sentes, do que pensas, de nada disso. Só querem, ao contactar contigo, conseguir algo e troca. Sejam conhecimentos, conforto psicológico ou emocional. Como dizia não sei quem, de boas intenções está o inferno cheio.
Eu sou egoísta. Daqui a dois anos quero ver a minha vida diferente. E isso depende unicamente de mim.
em 20 de Setembro de 2009
"Escritos sobre coisa nenhuma."
Viver é bom. Uma parte do tempo. Mas era tudo muito mais simples se eu não existisse.
Quando escrevo dou muitos erros ortográficos mas não os dou na vida real. Não nesta quantidade. Mas se calhar era mais feliz se desse. Se calhar era.
Odeio o mundo. Não o planeta mas sim as pessoas. Os seres humanos são horríveis, nojentos, hipócritas. O macaco "proconsul" tornou-se uma criatura aparentemente mais evoluida mas isso toca apenas alguns da espécie. Os comportamentos animais continuam a existir mas disfarçados.
Fala-se tanto do egoismo. O egoismo do homem branco, dos ocidentais. O egoismo Americano. Pois para mim o egoismo é necessário. As pessoas andam à procura delas próprias, é normal que seja egoistas. É mau eu querer algo a mais para mim? Claro que não. Só um Karl Marx para julgar isso. Acho que devia-se falar mais da indiferença. Essa sim, é a grande causadora de problemas.
Estou à procura de mim mesmo e estou cansado de procurar. As pessoas não são coisas, também se cansam psicologicamente. E eu estou cansado de esperar que a felicidade me bata à porta. Tenho algumas certezas quanto ao futuro. - Chamo certezas a acontecimentos que julgo serem muito prováveis de ocorrer. - Sei que serei bem sucedido profissionalmente. Tenho todas as qualidades necessárias e provenho do meio social certo para ter ambição suficiente de ascensão social. Sei que serei alguém no mundo. Mas não sei se isso me fará feliz.
Estou a perder a melhor parte da minha vida com incertezas. Acho que está na altura de dar a volta. Tenho de fazer as coisas acontecer por mim. As pessoas não querem saber do que sentes, do que pensas, de nada disso. Só querem, ao contactar contigo, conseguir algo e troca. Sejam conhecimentos, conforto psicológico ou emocional. Como dizia não sei quem, de boas intenções está o inferno cheio.
Eu sou egoísta. Daqui a dois anos quero ver a minha vida diferente. E isso depende unicamente de mim.
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
Memorial de Cicatrizes (repost)
Gosto de cicatrizes. Gosto de olhar para as minhas cicatrizes e recordar como as fiz. Acho que são mais ou menos como as tatuagens mas mais intimas. Enquanto que as tatuagens são, na maior parte das vezes, para exibir, as cicatrizes são pedaços de memória inscritos no corpo.Tenho uma pequena cicatriz no lábio que quase não se vê. Nos dois lábios até, assim feita de cima para baixo. Foi feita pela garra de um pastor-alemão quando eu tinha nove anos. Ia a caminho da explicadora quando um pasto-alemão adulto me atacou. Também me deixou uma cicatriz feita com os dentes. Essa cicatriz quase não se vê. E é mesmo em baixo do olho esquerdo... Dois centímetros mais acima e eu tinha ficado sem um olho. Agora que penso nisso... É mesmo estranho. Eu como me conheço poderia não existir. Mas gosto da cicatriz no lábio. Quando vista ao perto dá-me um ar de Robert DeNiro.
Quando tive o meu primeiro desgosto amoroso... bem, foi há muito tempo mesmo. Lembro-me de, entre outras coisas ter pegado numa faca e feito um corte no braço. Não tive de levar pontos por causa disto porque foi muito superficial. Mesmo assim demorou a cicatrizar. De lá para cá já tive vontade de repetir a experiência mas a idade deu-me dois dedos de testa.
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Elogio ao Amor
Roubei daqui, que por sua vez roubou não sei onde.
(Obrigado por me mostrares, Joana.)"Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
(...) Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Elogio ao amor (Miguel Esteves Cardoso - Expresso )
Imagem: http://aaamber.deviantart.com/
domingo, 15 de novembro de 2009
Quando eu te perdi.
Para Tânia
Quando eu te perdi, tu e eu perdemos.
Eu, porque tu eras quem eu mais amava.
Tu, porque eu era o que mais te amava.
Mas de nós dois tu perdeste mais que eu.
Porque eu poderei amar outras como te amei a ti
Mas a ti não te amarão como te amei eu.
(Susana Mara, Adaptado)
a)
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sábado, 14 de novembro de 2009
Quando tive coragem (Olá Tânia)
Quando ganhei coragem para tentar aproximar-me de ti.
Quando percebi que afinal não eras assim tão convencida. Olá Tânia.
Só te queria dizer olá.
Foi para isso que te enviei a mensagem, para dizer olá.
Por isso, olá.
Porque te enviaria um olá se não fosse para dizer olá?
Não estou à espera que leias as entre-linhas de um olá.
Nem estou com isto a dizer que há entre-linhas no olá que te estou a dizer.
Ou talvez esteja, com esta afirmação, a realçar esse aspecto deste olá que apesar de não ser apenas um olá, é também um pedido de resposta que seja algo mais que um olá.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Comboios Velhos
Texto escrito em Abril de 2009
Na estação de comboios onde haviam comboios, haviam comboios e um rapaz.
A estação era velha mas o rapaz era novo e não gostava de comboios porque lhe pareciam uma coisa velha. Os comboios eram velhos e eram indiferentes ao rapaz novo, porque eram comboios e os comboios não foram feitos para tecer opiniões sobre os passageiros, novos ou velhos. Já o rapaz fora feito para tecer opiniões sobre tudo, porque era novo e porque era humano, e os humanos tecem opiniões sobre tudo, mesmo comboios velhos numa estação velha que lhe podia ser útil. A estação era útil porque tinha comboios e os comboios transportam pessoas novas e velhas, úteis e inúteis. Levam e trazem. Ás vezes levam e não trazem porque as pessoas voltam em transportes novos, como os aviões, que também não tecem opiniões sobre quem transportam mas são novos. Mesmo assim, o rapaz novo não gosta de aviões porque é essa a sua opinião e ele é humano e os humanos gostam e desgostam das coisas mesmo sem fundamento. Se o rapaz novo gostasse desses transportes novos como os aviões não estaria naquela estação velha onde haviam comboios velhos que já eram velhos à muito tempo, para percorrer um caminho velho que ligava uma cidade velha a outra ainda mais velha. Ele era novo e ia viajar em algo velho para conhecer algo novo, uma cidade e pessoas novas, úteis e inúteis, que gostavam e desgostavam de comboios e aviões. Era toda uma vida nova graças aos comboios velhos que estavam na estação velha que ficava na cidade velha. E tudo o que ele desejava agora era só voltar a ver aquela terra velha quando já fosse velho.
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Reino de Meliantes
Escrito numa aula de Filosofia.
Os portões do meu castelo
são guardados por gigantes.
Do soldo que recebem — nem vê-lo!
Dos meus esforços irrelevantes,
nasceu a sua lealdade que é o selo
do meu Reino de Meliantes,
que já eram meus amigos d'antes.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Um dia depois.
Recordando a humilhante declaração.
Para Tânia
É quarta-feira e saio à rua,
de manhã ainda cedo.
Levo comigo um coração partido
vazio de sangue e cheio de medo.
Era terça-feira quando saí
levando o coração na mão.
Fui para a estação. Esperar por ti
ouvir algo que não era nem sim nem não.
A minha alma desprovida de cor
enterrada em buraco profundo.
O meu corpo encerra a dor
de ser o rapaz mais infeliz do mundo!
É a quarta-feira dos vencidos
e eu não sou mais que invisível,
vagueando por caminhos perdidos
culpando-me do que era previsível.
Pensei em tudo e tudo perdi.
De um gesto apressado eu
declarei o que sentia por ti,
perdendo o que nunca foi meu.
Há noite escura no meu coração sem alma.
Terra queimada. Floresta doente.
E no ramo mais alto espera com calma
um Esquilo que não desiste facilmente...
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terça-feira, 10 de novembro de 2009
Neste Reino
Neste Reino só há solidão.
As pessoas procuram-se, condenadas a desencontrar-se.
As pessoas não falam porque têm medo e buscam quem fale por elas a quem não as quer ouvir.
As pessoas têm egos profundos, orgulhos altivos.
As pessoas pensam que o que as torna pessoas é trabalhar para outras pessoas e agradar outras pessoas, ganhar dinheiro para comprar coisas que as deixam ainda mais bem vistas aos olhos das pessoas que por sua vez querem ficar ainda mais bem vistas aos olhos de ainda mais pessoas, quando tudo o que essas pessoas precisavam era de uma caneca de chocolate quente, uma boa noite de sono e de um beijo de bom dia de uma, só, e única, pessoa!
Nesse Reino não há beijos de bom dia. Nem de boa noite. O afecto não existe. O carinho é fraqueza.
Desse reino só há uma chave. Partida em duas.
Neste Reino,
Portas fechadas indefinidamente.
Vazio consciente de atenção.
Excesso inconsciente de emoção.
Prescrição do destino para ser infeliz.
Receita genérica da mesma dose de solidão
Igualdade de sofrimento para todos.
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Suster a Respiração
Para Tânia
Sinto-me em stand-by, quanto estou perto de ti.
Como se esperasse algo. Como se temesse algo.
À espera que o mundo desabe a meus pés.
À espera do próximo comentário, da próxima gargalhada.
À espera que alguém estrague tudo.
Sinto-me fora de mim, quando estou contigo.
Como se eu já não fosse eu. Como se não quisesse continuar a ser.
A tentar não ficar quieto a olhar para o teu rosto.
A tentar parecer descontraído, parecer distraído.
A tentar conter-me para não te lançar um abraço,
pegar em ti e misturar-me contigo feito onda que rebenta na praia,
areia com espuma,
braços com costas,
braços com braços,
abraços com abraços
apertados, apertados,
para nunca mais te largar.
domingo, 25 de outubro de 2009
Neste Momento
Para Tânia
(Dois dias antes da declaração.)
Neste momento,
Queria dar-te um beijo.
Neste momento,
Queria dar-te um beijo de boa noite.
Neste momento,
Queria despedir-me de ti com um beijo.
Neste momento,
Queria despedir-me de ti com um beijo de boa noite.
Neste momento,
Queria que soubesses,
Neste momento,
Queria que soubesses que me queria despedir de ti com um beijo de boa noite.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
No Jardim, na nossa Torre.
Para Rosana
(Olhando para trás. No Principio.)
Sempre que falo de ti vem-me uma imagem à cabeça. Não é premeditado é simplesmente a melhor recordação nossa que possuo: sou eu e tu, sentados na nossa torre. Escondidos na nossa torre onde volta e meia aparecia um turista. Abraçados na nossa torre. Agarrados um ao outro como se os pulmões fossem ímanes. Como se as nossas vidas dependessem do combustível dos lábios um do outro.
Agora que olho para trás não consigo perceber como tal foi possível. Como tal sonho se concretizou em tão pouco tempo depois de te conhecer à imenso tempo. E no fundo, a sensação com que fico é que ainda não te conhecia. E que ainda não te conheço, apesar de saber mais sobre ti.
Durante um tempo julguei-te incansável. Acordava a pensar em ti e sabia que te ia ver. Ficava feliz por isso. Estava animado quando estava contigo. Como se a tua presença, essa sim, fosse o meu combustível. Vivia com este sentimento platónico dentro de mim e, chegava.
Quando nos beijamos pela primeira vez no parque, quando te roubei um beijo imobilizando-te, julgando que ia ser reprimido, empurrado para trás, fui recebido pelos teus lábios como se já estivessem à minha espera. Num beijo demorado ouvi-te dizer — Devo estar a sonhar. Num beijo demorado ouvi-me pensar — Devo estar a sonhar. Num beijo demorado na relva senti o chão estremecer e abrir debaixo de mim e não fosses tu estar lá eu teria sido engolido.
(Olhando para trás. No Principio.)
Sempre que falo de ti vem-me uma imagem à cabeça. Não é premeditado é simplesmente a melhor recordação nossa que possuo: sou eu e tu, sentados na nossa torre. Escondidos na nossa torre onde volta e meia aparecia um turista. Abraçados na nossa torre. Agarrados um ao outro como se os pulmões fossem ímanes. Como se as nossas vidas dependessem do combustível dos lábios um do outro.
Agora que olho para trás não consigo perceber como tal foi possível. Como tal sonho se concretizou em tão pouco tempo depois de te conhecer à imenso tempo. E no fundo, a sensação com que fico é que ainda não te conhecia. E que ainda não te conheço, apesar de saber mais sobre ti.
Durante um tempo julguei-te incansável. Acordava a pensar em ti e sabia que te ia ver. Ficava feliz por isso. Estava animado quando estava contigo. Como se a tua presença, essa sim, fosse o meu combustível. Vivia com este sentimento platónico dentro de mim e, chegava.
Quando nos beijamos pela primeira vez no parque, quando te roubei um beijo imobilizando-te, julgando que ia ser reprimido, empurrado para trás, fui recebido pelos teus lábios como se já estivessem à minha espera. Num beijo demorado ouvi-te dizer — Devo estar a sonhar. Num beijo demorado ouvi-me pensar — Devo estar a sonhar. Num beijo demorado na relva senti o chão estremecer e abrir debaixo de mim e não fosses tu estar lá eu teria sido engolido.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Esta Noite
Inverno de 2007/2008
Poema para Flávia Vieira.
Esta noite procurei-te e não te encontrei;
onde estavas quando desliguei a luz?
queria ter visto o brilho dos teus olhos antes de fechar os meus,
desejar boa-noite como quem pede desculpa
dar a mão por entre um beijo demorado,
e naquele vazio preenchido por coisa nenhuma
queria sentir-te adormecer ao meu lado.
Esta manhã procurei-te e não te vi;
onde estavas quando o sol nasceu?
queria ter olhado o teu rosto e morde-lo ao de leve;
abraçar o teu corpo fundindo-o no meu,
reafirmar que ainda sou teu,
apertar-te desajeitadamente como não se deve,
dizer-te ao ouvido como és bela,
lembrar-te que o primeiro a beijar não fui eu
e dar um beijo mal dado nos teus lábios maçã-canela;
agradecer-te por me fazeres sentir como nunca senti,
pouco me importando das vezes em que és neve,
saboreando cada lembrança em que foste chantilly,
mas peço desculpa se ocupo o teu tempo,
ou se alguma vez atenção a mais te pedi,
perdoa-me por te pesar no relógio
mas todos os dias são tristes sem ti.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
sábado, 13 de junho de 2009
Eu.
Era suposto a água transformar-se em vinho mas ainda não consegui. Tenho-me concentrado bastante para tentar transforma-la mas até agora o único milagre que consegui foi um pequeno travo a groselha.
Parece que a minha carreira como Salvador da Humanidade está perdida. Já não vale de nada sonhar com um cargo elevado de funcionário publico do Reino dos Céus. Nunca serei capaz de efectuar o milagre mais elementar de todos.
Houve tempos, quando esta ideia mirabolante de ser o Salvador da Humanidade começou a tomar forma na minha mente, em que imaginava como seria multiplicar pães e curar ceguinhos. A alegria de ver um morto ressuscitar ou de ser o guia espiritual de multidões era algo que me fascinava de tal maneira que cheguei a planear e traçar objectivos profissionais para 10 anos, sendo que no final seria crucificado. Ou seja, promovido.
Mas agora, depois de ter pesquisado no Google por tutoriais de milagres, e de ter frequentado um curso intensivo por correspondência de “Messias”, deixo a minha determinação desvanecer-se de mim até à sarjeta da melancolia de onde não há regresso. Estou deprimido, ponto final. E como estou deprimido faço aquilo que as pessoas deprimidas fazem para superar a depressão: Como chocolate e crio um blogue.
Este é o primeiro post desse blogue e como primeiro post do blogue que é vou tentar deixar bem claro quais são os objectivos deste blogue.
Note-se que na frase anterior não usei virgulas e repeti a palavra “blogue” três vezes, propositadamente. Porquê?, pergunta o leitor inclinando a cabeça como um mau actor. Porque ao fazer isto estou a quebrar uma série de regras do “Bom Português” e como tenho este tipo de escrita cortês o leitor é levado a pensar que escrevo bem. No entanto, ao quebrar regras estou a ser um rebelde literário e, portanto, logicamente, obviamente, um bom escritor ao melhor estilo de Saramago e outros que tal!
Espante-se, espante-se que é caso para isso!
E pergunta o leitor assim-como-quem-não-quer-a-coisa:
E eu, confrontado com tal pergunta e com o tom jocoso do leitor (veja-se a qualidade do vocabulário!) sinto-me obrigado a responder nos mesmos termos.
— Eu sou o Paulo. Aquele que, já lá vão dois anos, criou um blogue que agora vai nas 60.000 visitas. Lembra-se de mim, amigo leitor? Não se lembra?
E o leitor, a não ser que tenha andado a decorar todos os blogues que lhe passam à frente vai dizer que não, não se lembra, e como não se lembra não posso insistir nesse assunto. Digamos então que me chamo Paulo, que adoptei o nome Montenegro e que sou Português. Oh, sim, sou mesmo. E vivo no Distrito do Porto, Algures entre Matosinhos e a Cidade do Porto e que, como algumas pessoas por aí, e por aqui, tenho o mau hábito de devorar livros.
A minha vida mudou bastante desde a ultima vez que escrevi no antigo “blogue”. Quando comecei aquele blogue a minha vida estava num “ponto morto” como nunca tinha estado. À uns meses esse “ponto” repetiu-se, atirando o meu orgulho, ambições, sonhos e projectos futuros para a sarjeta. Bem, parece que as coisas funcionam em círculos e que Nietzsche tinha razão. A bem dizer, o meu “poder” encontra-se agora mais limitado. Quando falo de poder refiro-me à capacidade de acção. Como disse, as circunstancias mudaram, tal como eu mudei, infelizmente.
Acho que continuo a ser aquele que pode mudar alguma coisa.
Ui.
[Esta pausa na minha linha de raciocínio deixou-me baralhado.]
Parece que vou ter de dissecar esta frase que escrevi atrás. Mas depois publico isso noutro post.
Continuando,
Como abandonei o sonho de ser o salvador da humanidade decidi ser o Ditador da Humanidade. É um emprego infame e mal remunerado, sem direito aos feriados ou a férias mas que dá o seu gozo. Infelizmente para mim não havia anúncios no jornal a pedir por Ditadores por isso decidi que vou tornar-me Ditador pelo meu próprio esforço. Pelo meu mérito. Aproveito que estou deprimido e criei este blogue para me tornar dono e senhor desta obra on-line. A partir de agora, nesta página branca como leite que sai da vaquinha, eu sou a Autoridade Suprema, O Déspota, O Soberano, O Rei, Aquele-que-joga-com-dois-baralhos, O Imperador, por assim dizer, e este cantinho de nada, torna-se O Meu Império.
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