domingo, 25 de outubro de 2009
Neste Momento
Para Tânia
(Dois dias antes da declaração.)
Neste momento,
Queria dar-te um beijo.
Neste momento,
Queria dar-te um beijo de boa noite.
Neste momento,
Queria despedir-me de ti com um beijo.
Neste momento,
Queria despedir-me de ti com um beijo de boa noite.
Neste momento,
Queria que soubesses,
Neste momento,
Queria que soubesses que me queria despedir de ti com um beijo de boa noite.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
No Jardim, na nossa Torre.
Para Rosana
(Olhando para trás. No Principio.)
Sempre que falo de ti vem-me uma imagem à cabeça. Não é premeditado é simplesmente a melhor recordação nossa que possuo: sou eu e tu, sentados na nossa torre. Escondidos na nossa torre onde volta e meia aparecia um turista. Abraçados na nossa torre. Agarrados um ao outro como se os pulmões fossem ímanes. Como se as nossas vidas dependessem do combustível dos lábios um do outro.
Agora que olho para trás não consigo perceber como tal foi possível. Como tal sonho se concretizou em tão pouco tempo depois de te conhecer à imenso tempo. E no fundo, a sensação com que fico é que ainda não te conhecia. E que ainda não te conheço, apesar de saber mais sobre ti.
Durante um tempo julguei-te incansável. Acordava a pensar em ti e sabia que te ia ver. Ficava feliz por isso. Estava animado quando estava contigo. Como se a tua presença, essa sim, fosse o meu combustível. Vivia com este sentimento platónico dentro de mim e, chegava.
Quando nos beijamos pela primeira vez no parque, quando te roubei um beijo imobilizando-te, julgando que ia ser reprimido, empurrado para trás, fui recebido pelos teus lábios como se já estivessem à minha espera. Num beijo demorado ouvi-te dizer — Devo estar a sonhar. Num beijo demorado ouvi-me pensar — Devo estar a sonhar. Num beijo demorado na relva senti o chão estremecer e abrir debaixo de mim e não fosses tu estar lá eu teria sido engolido.
(Olhando para trás. No Principio.)
Sempre que falo de ti vem-me uma imagem à cabeça. Não é premeditado é simplesmente a melhor recordação nossa que possuo: sou eu e tu, sentados na nossa torre. Escondidos na nossa torre onde volta e meia aparecia um turista. Abraçados na nossa torre. Agarrados um ao outro como se os pulmões fossem ímanes. Como se as nossas vidas dependessem do combustível dos lábios um do outro.
Agora que olho para trás não consigo perceber como tal foi possível. Como tal sonho se concretizou em tão pouco tempo depois de te conhecer à imenso tempo. E no fundo, a sensação com que fico é que ainda não te conhecia. E que ainda não te conheço, apesar de saber mais sobre ti.
Durante um tempo julguei-te incansável. Acordava a pensar em ti e sabia que te ia ver. Ficava feliz por isso. Estava animado quando estava contigo. Como se a tua presença, essa sim, fosse o meu combustível. Vivia com este sentimento platónico dentro de mim e, chegava.
Quando nos beijamos pela primeira vez no parque, quando te roubei um beijo imobilizando-te, julgando que ia ser reprimido, empurrado para trás, fui recebido pelos teus lábios como se já estivessem à minha espera. Num beijo demorado ouvi-te dizer — Devo estar a sonhar. Num beijo demorado ouvi-me pensar — Devo estar a sonhar. Num beijo demorado na relva senti o chão estremecer e abrir debaixo de mim e não fosses tu estar lá eu teria sido engolido.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Esta Noite
Inverno de 2007/2008
Poema para Flávia Vieira.
Esta noite procurei-te e não te encontrei;
onde estavas quando desliguei a luz?
queria ter visto o brilho dos teus olhos antes de fechar os meus,
desejar boa-noite como quem pede desculpa
dar a mão por entre um beijo demorado,
e naquele vazio preenchido por coisa nenhuma
queria sentir-te adormecer ao meu lado.
Esta manhã procurei-te e não te vi;
onde estavas quando o sol nasceu?
queria ter olhado o teu rosto e morde-lo ao de leve;
abraçar o teu corpo fundindo-o no meu,
reafirmar que ainda sou teu,
apertar-te desajeitadamente como não se deve,
dizer-te ao ouvido como és bela,
lembrar-te que o primeiro a beijar não fui eu
e dar um beijo mal dado nos teus lábios maçã-canela;
agradecer-te por me fazeres sentir como nunca senti,
pouco me importando das vezes em que és neve,
saboreando cada lembrança em que foste chantilly,
mas peço desculpa se ocupo o teu tempo,
ou se alguma vez atenção a mais te pedi,
perdoa-me por te pesar no relógio
mas todos os dias são tristes sem ti.
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