Para Rosana
(Olhando para trás. No Principio.)
Sempre que falo de ti vem-me uma imagem à cabeça. Não é premeditado é simplesmente a melhor recordação nossa que possuo: sou eu e tu, sentados na nossa torre. Escondidos na nossa torre onde volta e meia aparecia um turista. Abraçados na nossa torre. Agarrados um ao outro como se os pulmões fossem ímanes. Como se as nossas vidas dependessem do combustível dos lábios um do outro.
Agora que olho para trás não consigo perceber como tal foi possível. Como tal sonho se concretizou em tão pouco tempo depois de te conhecer à imenso tempo. E no fundo, a sensação com que fico é que ainda não te conhecia. E que ainda não te conheço, apesar de saber mais sobre ti.
Durante um tempo julguei-te incansável. Acordava a pensar em ti e sabia que te ia ver. Ficava feliz por isso. Estava animado quando estava contigo. Como se a tua presença, essa sim, fosse o meu combustível. Vivia com este sentimento platónico dentro de mim e, chegava.
Quando nos beijamos pela primeira vez no parque, quando te roubei um beijo imobilizando-te, julgando que ia ser reprimido, empurrado para trás, fui recebido pelos teus lábios como se já estivessem à minha espera. Num beijo demorado ouvi-te dizer — Devo estar a sonhar. Num beijo demorado ouvi-me pensar — Devo estar a sonhar. Num beijo demorado na relva senti o chão estremecer e abrir debaixo de mim e não fosses tu estar lá eu teria sido engolido.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
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