sábado, 13 de junho de 2009

Eu.



Era suposto a água transformar-se em vinho mas ainda não consegui. Tenho-me concentrado bastante para tentar transforma-la mas até agora o único milagre que consegui foi um pequeno travo a groselha.
Parece que a minha carreira como Salvador da Humanidade está perdida. Já não vale de nada sonhar com um cargo elevado de funcionário publico do Reino dos Céus. Nunca serei capaz de efectuar o milagre mais elementar de todos.
Houve tempos, quando esta ideia mirabolante de ser o Salvador da Humanidade começou a tomar forma na minha mente, em que imaginava como seria multiplicar pães e curar ceguinhos. A alegria de ver um morto ressuscitar ou de ser o guia espiritual de multidões era algo que me fascinava de tal maneira que cheguei a planear e traçar objectivos profissionais para 10 anos, sendo que no final seria crucificado. Ou seja, promovido.
Mas agora, depois de ter pesquisado no Google por tutoriais de milagres, e de ter frequentado um curso intensivo por correspondência de “Messias”, deixo a minha determinação desvanecer-se de mim até à sarjeta da melancolia de onde não há regresso. Estou deprimido, ponto final. E como estou deprimido faço aquilo que as pessoas deprimidas fazem para superar a depressão: Como chocolate e crio um blogue.
Este é o primeiro post desse blogue e como primeiro post do blogue que é vou tentar deixar bem claro quais são os objectivos deste blogue.
Note-se que na frase anterior não usei virgulas e repeti a palavra “blogue” três vezes, propositadamente. Porquê?, pergunta o leitor inclinando a cabeça como um mau actor. Porque ao fazer isto estou a quebrar uma série de regras do “Bom Português” e como tenho este tipo de escrita cortês o leitor é levado a pensar que escrevo bem. No entanto, ao quebrar regras estou a ser um rebelde literário e, portanto, logicamente, obviamente, um bom escritor ao melhor estilo de Saramago e outros que tal!
Espante-se, espante-se que é caso para isso!
E pergunta o leitor assim-como-quem-não-quer-a-coisa:

— Mas afinal quem sois vós?
E eu, confrontado com tal pergunta e com o tom jocoso do leitor (veja-se a qualidade do vocabulário!) sinto-me obrigado a responder nos mesmos termos.
— Eu sou o Paulo. Aquele que, já lá vão dois anos, criou um blogue que agora vai nas 60.000 visitas. Lembra-se de mim, amigo leitor? Não se lembra?
E o leitor, a não ser que tenha andado a decorar todos os blogues que lhe passam à frente vai dizer que não, não se lembra, e como não se lembra não posso insistir nesse assunto. Digamos então que me chamo Paulo, que adoptei o nome Montenegro e que sou Português. Oh, sim, sou mesmo. E vivo no Distrito do Porto, Algures entre Matosinhos e a Cidade do Porto e que, como algumas pessoas por aí, e por aqui, tenho o mau hábito de devorar livros.
A minha vida mudou bastante desde a ultima vez que escrevi no antigo “blogue”. Quando comecei aquele blogue a minha vida estava num “ponto morto” como nunca tinha estado. À uns meses esse “ponto” repetiu-se, atirando o meu orgulho, ambições, sonhos e projectos futuros para a sarjeta. Bem, parece que as coisas funcionam em círculos e que Nietzsche tinha razão. A bem dizer, o meu “poder” encontra-se agora mais limitado. Quando falo de poder refiro-me à capacidade de acção. Como disse, as circunstancias mudaram, tal como eu mudei, infelizmente.
Acho que continuo a ser aquele que pode mudar alguma coisa.
Ui.
[Esta pausa na minha linha de raciocínio deixou-me baralhado.]
Parece que vou ter de dissecar esta frase que escrevi atrás. Mas depois publico isso noutro post.
Continuando,
Como abandonei o sonho de ser o salvador da humanidade decidi ser o Ditador da Humanidade. É um emprego infame e mal remunerado, sem direito aos feriados ou a férias mas que dá o seu gozo. Infelizmente para mim não havia anúncios no jornal a pedir por Ditadores por isso decidi que vou tornar-me Ditador pelo meu próprio esforço. Pelo meu mérito. Aproveito que estou deprimido e criei este blogue para me tornar dono e senhor desta obra on-line. A partir de agora, nesta página branca como leite que sai da vaquinha, eu sou a Autoridade Suprema, O Déspota, O Soberano, O Rei, Aquele-que-joga-com-dois-baralhos, O Imperador, por assim dizer, e este cantinho de nada, torna-se O Meu Império.